Mês: Novembro 2015

Quem deita a feijoca à terra?

O agricultor tipo que recebe o incentivo ao cultivo da feijoca  é homem, tem 50 a 75 anos e o ensino básico. “O agricultor que se candidata [ao programa de incentivo ao cultivo da feijoca] tem entre 50 e 75 anos, possui o ensino básico e tem terrenos na freguesia de São Pedro”, diz Pedro Lucas, engenheiro florestal da Câmara Municipal de Manteigas (CMM). Esta caraterização baseia-se numa pequena amostra de candidatos, mas revela que “a maioria consegue escoar metade da produção do ano anterior, ficando o resto para o autoconsumo e sementeira do ano seguinte”, acrescenta o técnico. Passados dois anos sobre o seu lançamento, a primeira análise àquele programa de incentivo aponta a necessidade de mudanças. “Gostávamos que houvesse mais pessoas a candidatarem-se até porque sabemos que há mais agricultores a produzirem feijoca”, constata Pedro lucas, ao assinalar que o número de candidatos ao apoio não aumentou (ver gráfico). Ano          Nº Agricultores                 Produção (kg)                   …

Do terroir se faz a feijoca

Seguimos o cultivo da feijoca de Manteigas de Maio a Outubro. Descobrimos como o clima e solo a caracterizam e que papel tem a leguminosa no processo de emagrecimento. Carlos Baptista gosta de fazer experiências. Por curiosidade. Para saber o que acontece às suas feijocas quando são cultivadas em meios diferentes. Já levou alguns exemplares de Manteigas para Aveiro e “produziram muito. Eram iguais, só que o sabor ficou diferente, não era tão doce.” A semente que todos os anos cultiva em terrenos localizados no Vale Glaciar do Zêzere transformou-se “numa feijoca vulgar”. Afinal, continua o agricultor, “a nossa feijoca tem a casca fina. Nas outras, logo quando as pomos de molho, a pele facilmente rebenta. A nossa não, estica e aguenta-se.” Na colheita de 2015 decidiu realizar novo teste. Desta feita cultivou a feijoca de Cabo Verde num canto dos terrenos que trata. A favona, como é conhecida naquele país, é bem maior do que a leguminosa de Manteigas, apesar de também ser esbranquiçada (veja fotografia). Depois da colheita em Outubro chegou a surpresa: “Estão iguais à nossa, diminuíram de tamanho. …

No prato fica a semente

Antes de chegar à terra a semente de cebola salta para a panela. O frio anuncia o cultivo das cebolas. E lembra um conselho de Conceição Rafael: “Experimentai guardar algumas para cozinhar”. O pequeno tamanho ameaça excesso de trabalho no momento de descascar, mas a tarefa fica reduzida a minutos depois de serem escaldadas em água a ferver. A partir daqui tudo é possível. Se pelar muitas, pode congelar algumas ainda cruas para utilizar no futuro. Fritas ficam particularmente doces. Aos assados e estufados, tanto de carne como de peixe, dão também doçura e suavidade. Salteadas, especialmente se ficarem um pouco crocantes, deixam na língua um sabor picante. Neste caso as pequenas cebolas acompanham melhor pratos intensos, para o sabor da cebola não se sobrepor aos outros ingredientes. O processo é simples:  1- Colocar as cebolas em água a ferver por 30 segundos a um minuto. 2- Retirar as cebolas do lume. 3- Colocá-las numa taça com água e cubos de gelo para pararem de cozer. 4- Tirar a pele. Se necessário cortar a raiz, mas cuidado para …